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Uma no cravo e outra na ferradura

Publicado a 28/01/2011, 13:15 por Pico DoPetroleo   [ atualizado a 28/01/2011, 13:33 ]
Há dias assim. As notícias que emergem sobre as políticas que são seguidas pelos políticos são por vezes desconcertantes quando se tenta enquadrá-las no conjunto do sistema socio-económico. Parece por vezes que os políticos e detentores de cargos públicos são como marinheiros que se guiam por uma bússola avariada, cujo norte ora aponta numa direcção ora noutra, sem nunca indicar um caminho certo. Na mesma semana a Comissão consegue apresentar notícias sobre a sua política de transportes que levam qualquer euro-cidadão a perguntar-se que objectivos está Bruxelas exactamente a perseguir.

Numa nota positiva para a Europa em geral e muito em particular para Portugal, está a inauguração do primeiro troço ferroviário trans-pirenaico de alta-velocidade. São apenas 44 Km de ferrovia mas ligam duas das maiores redes de alta-velociade europeias, finalmente ultrapassando o monumental obstáculo natural. Fica assim criado mais um importante eixo ferroviário europeu: Madrid-Barcelona-Lyon, ao qual Lisboa poderia estar ligada, caso fosse esse o desejo dos portugueses. Para já Portugal permanece na condição de ilha ferroviária.

Esta é a notícia mais importante em termos de transportes para Portugal em muitos anos, mas tem sido, e deverá continuar a ser, ignorada pelos meios de comunicação social. Será importante notar que uma ligação do mesmo género junto ao golfo da Biscaia será estratégicamente mais relevante para Portugal, mas ainda assim esta ligação mediterrânica abre um novo leque de hipóteses ao transporte não dependente de energia do estrangeiro.  Em especial para o transporte de mercadorias, esta ligação tem potencialidades de redução de consumo de combustíveis fósseis como poucas infra-estruturas. Resta saber aproveitá-la.

Ao mesmo tempo a Comissão publica um relatório sobre combustíveis líquidos que parece vir de um executivo de qualquer outro país com objectivos diametralmente opostos. Não passa de uma compilação de literatura sobre o tema, uma espécie de salada russa de combustíveis, que todos juntos supostamente resolverão os problemas da União. Para além de alguns aspectos cómicos, como propor gás de petróleo liquefeito como substituo para o próprio petróleo, este relatório carece de qualquer análise séria em termos de EROEI – a medida do saldo energético de uma fonte de energia. Ou seja, para a Comissão (ou para quem fez o relatório) pouco parece interessar se uma fonte de energia é ou não proveitosa para a sociedade, seja o que for que vier é bom. E assim perduram neste tipo de documentos quimeras como o hidrogénio ou os agro-combustíveis, que não são fontes mas sim sumidouros de energia.

Caberá talvez aos cidadãos darem um rumo às políticas para o século XXI; os políticos, esses, parecem ainda à procura do norte.
TEN-T Executive Agency
First interoperable rail link opens between Iberian peninsula and France
Creation date: 27 January 2011

A new railway section linking the Spanish and French networks opens today thanks to about €70 million in European Union funding. The 44.4 km Perpignan-Figueras railway section is suitable for both high-speed rail and freight transport and is expected to significantly cut journey times. The official opening was attended by the Spanish Minister of Development, Jose Blanco López, the French Secretary of State for Transport, M. Thierry Mariani, and the European coordinator Carlo Secchi, on behalf of the European Commission.

Mr Secchi, who is responsible on behalf of the Commission for coordinating high-speed rail links in south-west Europe, including the Madrid-Barcelona-Lyon line, said: "This link between the two main high-speed rail European networks overcomes an historical natural barrier. The new cross-border section represents a major achievement for the internal market and for the mobility of citizens. I am proud the European Union played such an essential role in making this possible."

The cross-border section, ensuring the first interoperable connection between the Iberian Peninsula and the rest of the European Union, was completed in 2009, and its implementation was made possible by Trans-European Transport Network (TEN-T) co-financing of €69.75 million, which represents 25% of the costs of works.



Europa.eu
Expert group report: Alternative fuels could replace fossil fuels in Europe by 2050
Reference:  IP/11/61    Date:  25/01/2011

Alternative fuels have the potential to gradually replace fossil energy sources and make transport sustainable by 2050, according to a report presented to the European Commission today by the stakeholder expert group on future transport fuels. The EU will need an oil-free and largely CO2-free energy supply for transport by 2050 due to the need to reduce its impact on the environment and concerns about the security of energy supply. The expert group has for the first time developed a comprehensive approach covering the whole transport sector. Expected demand from all transport modes could be met through a combination of electricity (batteries or hydrogen/fuel cells) and biofuels as main options, synthetic fuels (increasingly from renewable resources) as a bridging option, methane (natural gas and biomethane) as complementary fuel, and LPG as supplement.

Vice-President Siim Kallas, responsible for transport, said: "If we are to achieve a truly sustainable transport, then we will have to consider alternative fuels. For this we need to take into account the needs of all transport modes."

The Commission is currently revising existing policies and today's report will feed into the "initiative on clean transport systems", to be launched later this year. The initiative intends to develop a consistent long-term strategy for fully meeting the energy demands of the transport sector from alternative and sustainable sources by 2050.

According to the report, alternative fuels are the ultimate solution to decarbonise transport, by gradually substituting fossil energy sources. Technical and economic viability, efficient use of primary energy sources and market acceptance, however, will be decisive for a competitive acquisition of market share by the different fuels and vehicle technologies.
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