De todos os estados da União Europeia o Reino Unido foi talvez aquele mais favorecido pela Natureza no que toca a combustíveis fósseis. Em terra com importantes reservas de carvão e no mar com o petróleo e o gás do Mar do Norte. Estes últimos recursos foram até preponderantes à escala global, permitindo que a OCDE vencesse a crise energética dos anos 1970 e despoletando o colapso dos preços do petróleo em 1985, abrindo assim a porta a duas décadas de crescimento económico sem precedentes.
O Reino Unido optou por uma rápida utilização dos recursos do Mar do Norte, tendo sido um exportador líquido de energia durante quase 30 anos. A produção de gás e petróleo nesta região passou o seu pico no virar de século, abrindo-se desde 2005 um importante défice comercial na área da energia com a procura a ultrapassar claramente a produção interna. Foram talvez estas décadas de abundância que motivaram uma política energética de grande laxismo, cuja lógica é difícil de compreender. Apesar de ter sido um estado pioneiro na utilização da energia nuclear para fins civis, foi programado o abandono do parque nuclear exactamente para o a época em que o Mar do Norte entraria em declínio. Paralelamente, foi adoptada uma estratégia de incumprimento com a legislação comunitária que implicará na próxima década a retirada de boa parte do parque de geração eléctrica térmica a carvão. Nos dez anos que se seguem a capacidade de geração eléctrica do Reino Unido será reduzida a apenas uma fracção do que é hoje; no que toca ao petróleo, terá de ser quase todo importado. A princípio pareceu existir uma aposta no gás natural para colmatar o fosso que se vislumbra a curto prazo entre procura e oferta de electricidade. Gasodutos ligando a Grã-Bretanha à Bélgica e à Noruega pareciam abrir um mercado de gás que permitiria ao Reino Unido abastecer a procura interna. Mas gás é coisa que não abunda propriamente no continente europeu, bem pelo contrário, a dependência no abastecimento do Norte de África e da Rússia têm tornado este um mercado cada vez mais difícil. Nos últimos Invernos têm sido cada vez mais frequentes os períodos de escassez com a Rede Energética a ter que cortar o abastecimento à Indústria de modo a que nas habitações e nas centrais de geração térmica não falte o gás. A cada nova Primavera as reservas estratégicas de gás chegam a níveis mais baixos que na anterior. Nos últimos tempos tem-se dado uma mudança de rumo político, desta feita em direcção às energias renováveis. O governo da Escócia anunciou um programa para transformar o sector da geração eléctrica para fontes totalmente renováveis em apenas 15 anos, fortemente dependente da energia eólica. Não é de alguma forma explicado como compensará a rede eléctrica a intermitência do vento, ou como armazenará o excesso do Outono e da Primavera para responder à procura no Verão e no Inverno. Tal como foi fácil ao executivo londrino dizer nos anos 1990 que o envelhecido parque nuclear não seria substituído, é agora também fácil propor metas mirabolantes nas energias renováveis para 2025. O abastecimento de gás natural e electricidade no Reino irão experimentar sérias falhas de abastecimento no curto prazo, talvez já nos próximos 5 anos. A lógica política de chutar os problemas para a frente, em que se aparenta planear no longo prazo mas em que não se faz mais que sacudir a água do capote para quem se seguir no ciclo político, subscrita por todos os executivos desde Margaret Thatcher, nada pode contra a dinâmica da exaustão dos combustíveis fósseis. A algum ponto no futuro o Reino Unido terá que voltar ao Carvão e ao Nuclear, reconhecendo assim que não podia simplesmente desejar que estas energias e as suas desvantagens desaparecessem. Mas a essa altura já será tarde. Speech to Scottish Parliament |