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Corrida ao pré-sal angolano

Publicado a 26/12/2011, 03:04 por Pico DoPetroleo   [ atualizado a 26/12/2011, 03:07 ]
Por estes dias há uma notícia interessante na imprensa, aparentemente a Petrobrás ira iniciar a perfuração exploratória do pré-sal no sudoeste atlântico já no ano que vem. Em consequência de uma série de contractos assinados com diversas companhias internacionais para a exploração de 32 000 km2 nas águas de Angola, a estatal brasileira prepara-se para tomar a liderança. Alguns media escrevem como se a existência de petróleo e gás fosse quase uma certeza, mas na realidade pouco se sabe sobre a região. Incluído nos contractos assinados está a demanda de levantamentos sísmicos tridimensionais dos blocos em questão.

Não é fácil interpretar esta corrida à costa leste africana, enquanto em águas brasileiras o potencial do pré-sal está ainda por conhecer completamente. É possível que a Petrobrás esteja acima de tudo a tentar afirmar a sua liderança técnica no que toca à produção submarina de petróleo e gás a altas profundidades. Em segundo lugar estará decerto a confiança que os engenheiros brasileiros têm em encontrar condições geológicas muito semelhantes àquelas da costa brasileira. E por fim talvez haja o intuito de manter um visão de longo prazo, isolando a actividade exploratória de incertezas económicas ou variações de preço; o petróleo continuará a ser uma energia muito difícil de substituir.

Vale também a pena ponderar nas somas envolvidas. Só a Petrobrás irá investir mais de 200 mil milhões de euros em actividades exploratórias nos próximos três anos. Este valor é de ordem de grandeza semelhante ao produto interno bruto anual de Portugal. Não se pode evitar pensar que tais somas aplicadas (mesmo que parcialmente) à exploração de estratos geológicos incertos e complexos como o pré-sal atlântico poderão indicar algo de muito profundo quanto à viabilidade das companhias internacionais de petróleo a longo prazo.

Por fim será de notar que este é mais um pequeno passo na emergência do Brasil como potência dominante no hemisfério sul. Não apenas no petróleo e gás, mas também na agricultura, o Brasil tem vindo a impor a sua experiência técnica e capacidade de investimento. A facilitar este domínio está o facto dos dois países com melhores perspectivas nestas indústrias na África sub-sahariana serem membros da CPLP. Todos os oito países desta comunidade tem jurisdição sobre partes relevantes dos Oceanos em em todos eles actividades exploratórias terão lugar na próxima década. A Petrobrás e o Brasil desempenharão certamente um papel central em quaisquer desenvolvimentos que daí advenham.

Bloomberg
Petrobras to Expand Pre-Salt Oil Drilling to Angola in 2012
Rodrigo Orihuela - Dec 20, 2011

Petroleo Brasileiro SA (PETR4), Latin America’s largest company by market value, said it will start drilling oil in deep waters off Africa early next year on bets the area may mirror Brazilian deposits across the Atlantic.

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Oil companies are lining up to explore reserves in Angolan deep waters because they are “believed to be analogous to pre- salt Brazil,” Tim Dodson, vice president for exploration at Statoil ASA (STL), said in a statement today. BP Plc, Statoil, Repsol YPF SA (REP), Total SA (FP) and ConocoPhillips (COP) were among companies that won licenses to drill in Angola’s pre-salt area today.

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Petrobras plans to invest $224.7 billion through 2015 as it prepares to tap the pre-salt reserves, which included the biggest discovery in the Americas in the past three decades.
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