Visto do Pico


O Petróleo vai acabar?

Publicado a 15/07/2012, 01:04 por Pico DoPetroleo

Um amigo colocou há dias esta pergunta. A resposta é óbvia e ele sabe-o, mas não deixa de ser uma questão com algum interesse nos dias de hoje. Seguem em baixo algumas notas em jeito de resposta que explicam a relevância da pergunta.

O petróleo acabará um dia mas não será em breve, provavelmente só para lá do século XXI. É no entanto natural que a questão se ponha depois de 8 anos de preços em alta, mal tal é uma consequência da relação entre a oferta e a procura, não um sinal de um fim iminente do petróleo. No entanto estes últimos anos assinalam o fim do chamado petróleo barato ou fácil; é importante compreender o que tal significa, uma vez que vai muito para além de preços.

O melhor exemplo desta nova era da exploração de petróleo que agora começa é uma das regiões mais maduras do mundo, a América do Norte. A história da exploração petrolífera nesta região começou com reservatórios de grandes dimensões onde o líquido fóssil existia em tais pressões que jorrava automaticamente assim que um furo o ligasse à superfície. Com o tempo esta pressão baixa e eventualmente torna-se necessário forçar o petróleo a fluir injectando água no reservatório. Esta técnica foi sendo apurada ao longo de décadas, por exemplo injectando outras substâncias mais eficazes. Neste tipo de exploração um furo pode produzir petróleo durante anos e um reservatório durar décadas.

Compare-se agora com a exploração dos reservatórios de petróleo de xisto (do inglês <i>oil shale</i> - não confundir com xistos betuminosos) sobre os quais muita tinta tem corrido recentemente. Aqui o liquído fóssil encontra-se fragmentado em pequenas bolsas espalhadas no sub-solo. É necessário efectuar uma multitude de furos em diferentes direcções e depois injectar substâncias especiais a altas pressões que fendem a rocha, abrindo ligações entre as diversas bolsas, assim criando como que um reservatório artificial. A grande diferença é que a longevidade de um furo neste tipo de reservas mede-se em meses e não em anos.

É isto o que significa o petróleo difícil: as novas reservas a entrar em produção requerem um esforço maior para produzir menos petróleo. É um decréscimo de saldo que não é apenas financeiro, pois nenhum banco pode emprestar a energia necessária para abrir um reservatório nos xistos. O petróleo difícil, ou não convencional, apresenta acima de tudo um decréscimo do saldo energético do processo de extracção de energia. Maior investimento para menor retorno energético é também o caso para as areias betuminosas no Canadá, das reservas marinhas ultra-profundas no Brasil ou do petróleo pesado da bacia do Orinoco. 

A principal consequência desta transição para as reservas não convencionais é a dificuldade em substituir o fluxo de produção das reservas convencionais que se vão esgotando. Para manter o ritmo actual da produção de petróleo mundial, a Agência Internacional de Energia estima ser necessário por em produção o equivalente a 3 novas Arábias Sauditas daqui até 2030. Certamente tal objectivo não será conseguido com os petróleos de xisto.

Outra importante consequência é a contracção do mercado internacional de petróleo. Os altos preços têm levado a um aumento muito acentuado do consumo interno dos países exportadores, onde regra geral as condições de vida têm melhorado rapidamente, adquirindo padrões de consumo próximos dos da OCDE. A isto junta-se um crescente proteccionismo de reservas que parecem cada vez mais preciosas; até nos EUA começa a ser igualmente patente a vontade política de evitar exportações de petróleo e gás dos xistos. O volume de petróleo comercialisado internacionalmente está em queda desde 2005, uma tendência que muito dificilmente se reverterá; os maiores perdedores têm sido claramente os países da OCDE, cujas economias não tem muito para oferecer em troca destas fontes de energia mais caras.

Sendo verdade que numa perspectiva mundial o petróleo está longe de terminar, para um país como Portugal a situação é bem diferente. As exigências das reservas não convencionais, a contracção do mercado internacional e ainda a concorrência de economias maiores e mais saudáveis, trazem a perspectiva do fim do acesso ao ouro negro para muito mais perto. Para Portugal o petróleo poderá estar mesmo a acabar-se.












Consumo de electricidade em Portugal em colapso

Publicado a 21/02/2012, 12:41 por Pico DoPetroleo   [ atualizado a 21/02/2012, 12:43 ]

Quando Portugal aprovou com os restantes membros da União Europeia os objectivos 20-20-20 em 2006 dificilmente os seus responsáveis políticos imaginariam que iriam ser cumpridos tão rapidamente. Seis anos depois o consumo de energia em Portugal está em contracção em quase todas as frentes, a política energética europeia tornou-se largamente irrelevante neste estado. Nos últimos dias foi conhecido mais um número surpreendente, no mês passado o consumo de electricidade caiu 6,3 %, o maior recuo alguma vez registado. Este valor tem em conta a sazonalidade do consumo e as condições climatéricas estando portanto descartadas quaisquer efeitos transitórios.

Se numa primeira fase foram os altos preços dos combustíveis rodoviários que impulsionaram esta quebra do consumo, desde 2010 que é a política recessiva do Concelho Europeu que garante as quebras do consumo. Com o aumento repentino do IVA sobre a electricidade de 12% para 23% e os cortes salariais para este ano o efeito foi imediato. É de esperar que este recuo continue ao longo do ano de 2012, tendo em conta que os cortes salariais implicam que muitas famílias entrem em incumprimento com os empréstimos à habitação, dessa forma deixando mais alguns lares vazios, sem consumir electricidade.

Aparentemente esta política de austeridade está a ter um efeito positivo no défice comercial de Portugal, o principal elemento da crise económica que o país atravessa. Mas este efeito é meramente numérico, naturalmente que o empobrecimento das populações reduz o consumo de produtos importados, mas não está em marcha qualquer reforma económica para efectivamente reduzir a dependência do estrangeiro, em especial nos sectores da Energia e da Agricultura. Qualquer esforço subsequente para retomar o crescimento irá esbarrar nos velhos problemas da infraestrutura de transportes quase totalmente dependente do Petróleo e numa produção agrícola desgarrada e anémica; qualquer incremento da actividade económica continuará a implicar a expansão do défice comercial. Enquanto este nó não for quebrado Portugal não tem saída.

A política de Austeridade é, perante este cenário, uma forma de quem lidera o país e o Concelho Europeu negligenciar o poder. É um voltar de costas à responsabilidade elementar que têm os políticos de liderar os cidadãos, de perscrutarem caminhos para o futuro. Limitam-se a uma retórica assustada (ou assustadora?) que nada resolve, nada reforma, apenas distribui pobreza. Dificilmente serão este líderes alguma vez lembrados com saudade.
OJE
Consumo médio de eletricidade teve maior quebra dos últimos 20 anos em janeiro
17/02/12, 17:25

O consumo médio de eletricidade teve em janeiro a maior quebra das últimas duas décadas, segundo dados da Redes Energéticas Nacionais (REN) divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com os números do INE, o consumo reduziu-se 6,3% em janeiro deste ano, por comparação com o mesmo mês de 2011, confirmando uma tendência de aceleração na quebra do consumo de eletricidade desde o aumento da respetiva taxa de IVA.

Estes dados referem-se ao consumo médio de energia elétrica em dias úteis, e são corrigidos dos efeitos da temperatura.

Antigo economista da AIE: Pico ainda esta década

Publicado a 07/01/2012, 12:14 por Pico DoPetroleo   [ atualizado a 08/01/2012, 11:23 ]

Na semana passada o jornal francês Le Monde publicou a versão em inglês de uma entrevista exclusiva com Olivier Rech, antigo economista da Agência Internacional de Energy (AIE). Entre 2006 e 2009 Rech foi responsável pelos modelos de produção de petróleo da Agência, que são a base da sua publicação de referência “Panorama Energético Mundial”, editada todos os anos em Novembro. Este documento delineia os cenários sobre os quais cada governo da OCDE constrói a sua política energética. Agências governamentais, institutos de investigação e empresas privadas guiam-se também largamente pela publicação da AIE. Notavelmente, as palavras Rech descrevem hoje um cenário completamente diferente daqueles que a AIE tem vindo a publicar.

Para a AIE a produção futura de petróleo tem sido uma mera questão de investimento, desde que o dinheiro apareça pode crescer para sempre, ou pelo menos até ao fim dos seus cenários. Para obter tais resultados, os cenários da AIE são cada vez mais dependentes de fontes de petróleo com nomes como “ainda-por-desenvolver” ou “ainda-por-descobrir”, algo que para o leitor atento se aproxima ao ridículo. Que se pode pensar quando alguém tão profundamente envolvido nos modelos da AIE até tão recentemente adopta um discurso tão diverso? São os modelos realmente a fonte da informação publicada no Panorama anual, nesse caso divergindo da avaliação dos seus criadores? Ou são os resultados dos modelos manipulados de forma a apresentar os cenários optimistas de crescimento perpétuo?

Em qualquer dos casos parece óbvio que a AIE não está a cumprir o seu propósito de informar os governos sobre a correcta disponibilidade de energia, em especial do petróleo. Os líderes da OCDE são levados a crer pela Agência que transitar as suas economias para um novo paradigma, acente em energias não fósseis, é uma questão de escolha. Tal poderá ser ser verdade para um pequeno número de nações, que pela sua vasta área geográfica ainda detêm reservas fósseis por explorar (mas a que preços?); é o caso dos EUA, do Canadá e da Austrália. Nos outros membros da OCDE o processo de redução de consumo de petróleo já está em marcha, pode vir disfarçado de recessões económicas, crises políticas ou desastres naturais, mas a realidade é que estes problemas imediatos são parte de uma dinâmica secular muito mais poderosa – o fim do acesso fácil da OCDE a recursos energéticos fósseis.
Le Monde
Oil will decline shortly after 2015, says former oil expert of International Energy Agency
Mathieu Auzanneau - 30th of December, 2011

Olivier Rech developed petroleum scenarios for the International Energy Agency over a three year period, up until 2009. This French economist now advises large investment funds on behalf of La Française AM, a Parisian assets management firm.

His forecasts for future petroleum production are now much more pessimistic than those published by the IEA. He expects stronger tensions as of 2013, and an inevitable overall decline of oil production "somewhere between 2015 and 2020", in the following exclusive interview.

Rech’s outlook serves as another significant contribution to the expanding list of leading sources portraying the threat of an imminent decline in global extraction of crude oil.

Corrida ao pré-sal angolano

Publicado a 26/12/2011, 03:04 por Pico DoPetroleo   [ atualizado a 26/12/2011, 03:07 ]

Por estes dias há uma notícia interessante na imprensa, aparentemente a Petrobrás ira iniciar a perfuração exploratória do pré-sal no sudoeste atlântico já no ano que vem. Em consequência de uma série de contractos assinados com diversas companhias internacionais para a exploração de 32 000 km2 nas águas de Angola, a estatal brasileira prepara-se para tomar a liderança. Alguns media escrevem como se a existência de petróleo e gás fosse quase uma certeza, mas na realidade pouco se sabe sobre a região. Incluído nos contractos assinados está a demanda de levantamentos sísmicos tridimensionais dos blocos em questão.

Não é fácil interpretar esta corrida à costa leste africana, enquanto em águas brasileiras o potencial do pré-sal está ainda por conhecer completamente. É possível que a Petrobrás esteja acima de tudo a tentar afirmar a sua liderança técnica no que toca à produção submarina de petróleo e gás a altas profundidades. Em segundo lugar estará decerto a confiança que os engenheiros brasileiros têm em encontrar condições geológicas muito semelhantes àquelas da costa brasileira. E por fim talvez haja o intuito de manter um visão de longo prazo, isolando a actividade exploratória de incertezas económicas ou variações de preço; o petróleo continuará a ser uma energia muito difícil de substituir.

Vale também a pena ponderar nas somas envolvidas. Só a Petrobrás irá investir mais de 200 mil milhões de euros em actividades exploratórias nos próximos três anos. Este valor é de ordem de grandeza semelhante ao produto interno bruto anual de Portugal. Não se pode evitar pensar que tais somas aplicadas (mesmo que parcialmente) à exploração de estratos geológicos incertos e complexos como o pré-sal atlântico poderão indicar algo de muito profundo quanto à viabilidade das companhias internacionais de petróleo a longo prazo.

Por fim será de notar que este é mais um pequeno passo na emergência do Brasil como potência dominante no hemisfério sul. Não apenas no petróleo e gás, mas também na agricultura, o Brasil tem vindo a impor a sua experiência técnica e capacidade de investimento. A facilitar este domínio está o facto dos dois países com melhores perspectivas nestas indústrias na África sub-sahariana serem membros da CPLP. Todos os oito países desta comunidade tem jurisdição sobre partes relevantes dos Oceanos em em todos eles actividades exploratórias terão lugar na próxima década. A Petrobrás e o Brasil desempenharão certamente um papel central em quaisquer desenvolvimentos que daí advenham.

Bloomberg
Petrobras to Expand Pre-Salt Oil Drilling to Angola in 2012
Rodrigo Orihuela - Dec 20, 2011

Petroleo Brasileiro SA (PETR4), Latin America’s largest company by market value, said it will start drilling oil in deep waters off Africa early next year on bets the area may mirror Brazilian deposits across the Atlantic.

[...]

Oil companies are lining up to explore reserves in Angolan deep waters because they are “believed to be analogous to pre- salt Brazil,” Tim Dodson, vice president for exploration at Statoil ASA (STL), said in a statement today. BP Plc, Statoil, Repsol YPF SA (REP), Total SA (FP) and ConocoPhillips (COP) were among companies that won licenses to drill in Angola’s pre-salt area today.

[...]

Petrobras plans to invest $224.7 billion through 2015 as it prepares to tap the pre-salt reserves, which included the biggest discovery in the Americas in the past three decades.

O Linux da energia Nuclear

Publicado a 05/11/2011, 12:32 por Pico DoPetroleo   [ atualizado a 05/11/2011, 12:34 ]

O grupo LEAP de Frank Biancheri publicou um artigo muito interessante sobre energia Nuclear que faz as pontes correctas sobre esta tecnologia.

A analogia com os sistemas operativos é particularmente acutilante. O DOS da Microsoft veio ao mundo Há 30 atrás para revolucionar a indústria da informática. Foi possivelmente o passo mais importante na direcção da visão “um computador em cada casa”, por oposição ao conceito anterior de processamento centralizado. Era um sistema muito básico, mas era também muito barato quando comparado com outros sistemas operativos da altura e mesmo relativamente ao preço das máquinas em que corria. Um sucesso sem dúvida, o utilizador podia correr muitas aplicações úteis, criar documentos, usar folhas de cálculo, criar grafismos, entreter-se com alguma programação básica, jogar jogos e mais. A utilizaçã de recursos não era perfeita, mas como poderia algum programa alguma vez usar mais que 640 Kb de memória?

O DOS teve o seu papel no mundo dos computadores pessoais, mas a evolução tecnológica não ficou por aí. No início dos anos 1990 um estudante de informática finlandês criou o seu próprio sistema operativo, inspirado no UNIX tal como tinha sido o DOS. Baptizado de Linux, este novo sistema trouxe muitos avanços em relação ao DOS: a utilização correcta de recursos, o multi-processamento e acima de tudo a segurança, com a autenticação de múltiplos utilizadores e listas de controlo de acessos. Mas a revolução que o Linux iniciou não tanto técnica mas muito mais conceptual, o processo de desenvolvimento de programas evoluíu num sentido completamente diferente: o código fonte é aberto e de utilização livre. Qualquer um pode ler o código, testá-lo e contribuir com melhorias, um processo totalmente transparente que atingiu hoje uma dimensão incrível, com dezenas de milhares de alterações e evoluções todos os anos. Um grande exemplo de emergência, pela comunidade e para a comunidade. O resultado hoje é um vasto leque de opções (às quais acrescem ainda a escolha de ambiente gráfico e aplicações) que se pode adaptar às necessidade de qualquer: desde o sistema básico para um utilizador iniciado ler o e-mail e efectuar video-chamadas num computar antigo, ao ambiente altamente personalizado para programação em 3D, aos sistemas paralelizados de suporte a serviços de internet aos supercomputadores.

Os Reactores de Água Pressurizada que protagonizaram histórias de horror como Three Mile Island, Chernobyl e Fukushima são grosso modo o DOS da tecnologia Nuclear. Inseguros, com muitas fraquezas inerentes ao desenho que podem resultar numa contaminação exterior e incapzes de utilizar os recursos correctamente: dependentes de um material fissionável escasso que não é completamente consumido no processo, deixando resíduos. Desenhos que lidam com estes assuntos (e ainda as questões de proliferação militar) existem desde os anos 1960, mas têm sido deixados ao pó em revistas científicas e catálogos de patentes. As razões estão bem patentes no artigo do LEAP. Para efectivamente entrar no século XXI a tecnologia Nuclear tem de encontrar o seu paradigma Linux. Um processo de desenvolvimento aberto, compreensível e contribuído pela comunidade, desligado de quaisquer interesses corporativos.

Mas em determinado aspecto o LEAP talvez esteja a ser optimista: o tempo. Mesmo o Linux passou por um período de maturação até à sua definitiva expansão. Em meados dos anos 1990 o Linux era já uma melhoria para um utilizador avançado que por exemplo estivesse interessado em programação, mas para um utilizador básico a experiência não era tão apelativa; a simples tarefa de ligar um disco duro externo podia tornar um pesadelo. Mesmo se de um momento para o outro nascesse uma conciência geral de que os mass media não são uma fonte de informação fidedigna sobre a energia Nuclear e programas modernos fossem iniciados ou reatados, os resultados estariam a anos, talvez décadas, de distância.

Eventualmente, com a China a desenvolver um programa Nuclear baseado na fissão do Tório e a disseminar essa tecnologia como forma de ganhar influência geo-política em certas regiões do globo, as cidadãos da OCDE começar-se-ão a interrogar. Porque é a transição para lá dos combustíveis fósseis tão dolorosa aqui enquanto outros gerem a situação muito melhor com tecnologia concebida inicialmente por nós?
LEAP
After Fukushima: The six essential features of the revolution in the nuclear power decision-making process for the 2010-2020 decade.

For the sake of completeness, the title of this exercise in political anticipation applied to nuclear power should also include two other factors besides Fukushima, namely the Internet and the global energy crisis which is one of the elements of the global systemic crisis we are experiencing. In effect, it is the combination of these three factors which, according to LEAP/E2020, radically and permanently alters the whole decision-making process on nuclear power that we have known since this source of energy took its first steps after the Second World War. This decisional "revolution" will, during the course of the current decade, equally affect the methods to decide or, on the contrary, block the development of nuclear power, as the room for maneuver for national players in these decisions and, finally, the players themselves. Indeed, the "nuclear power policy makers", historical pillars of the development of this energy from the 1950s, just like their fierce rivals the environmentalists who emerged in the 1970s, will quickly see that their monopoly of the debate on this subject is coming to end. Fukushima, the Internet and the crisis are in the course of shattering the nuclear debate's traditional expertise, limited to mode "pro" or "anti". The implications of such an upheaval for the various industry players and policy makers faced with choices for national energy are on an unprecedented scale since they involve a whole segment of global energy production.

Uma nova era no mercado internacional de petróleo?

Publicado a 25/06/2011, 08:43 por Pico DoPetroleo

Na passada quinta-feira a Agência Internacional de Energia (AIE) deu um abanão ao mercado internacional de petróleo ao anunciar uma intervenção conjunta por partes dos seus membros. Nos próximos 30 dias o bloco de países importadores irá abastecer as refinarias directamente a partir das suas reservas estratégicas a um ritmo de dois milhões de barris por dia. O preço do barril de Brent (bitola por que se rege cerca de metade do mercado internacional, incluindo Portugal) desceu abaixo dos 110$, depois de quase 4 meses seguidos a cima dessa marca. Mesmo quando em 2008 o preço do Brent ultrapassou os 140$, não esteve acima de 110$ mais que 4 meses.

Reacções não se fizeram esperar, e para todos os gostos. Desde aqueles que saudaram a intervenção como um golpe certeiro contra a Organização dos Países Exportadores de Crude (OPEC) até aos que consideraram este como um acto de desespero e uma ingerência perigosa no regular funcionamento dos mercados. Diferentes efeitos a curto e a longo prazo permitem defender qualquer das perspectivas, mas esta intervenção poderá ser o prenúncio de uma mudança de paradigma muito mais profunda que o que transparece à superfície.

Esta é apenas a terceira vez que o bloco de países importadores de petróleo congregados na AIE decidem usar as suas reservas estratégicas de petróleo de forma coordenada. As duas intervenções anteriores tiverem lugar em 1990, durante a Guerra do Golfo, e em 2005, em consequência do furacão Katrina que arrasou Nova Orleães. Desta feita a intervenção totaliza 60 milhões de barris de petróleo, a lançar no mercado ao longo dfe sensivelmente um mês.

Aproxima-se no Hemisfério Norte a chamada “época da condução” (do inglês driving season) um período que vai sensivelmente de meio de Julho a meio de Setembro durante o qual o consumo de combustíveis aumenta significativamente com as viagens de férias de boa parte da população. Esta acção de emergência dá a entender que as companhias petrolíferas não teriam matéria prima suficiente para suprir convenientemente a subida do consumo estival e evitar uma nova escalada dos preços.

No curto prazo esta intervenção tem aspectos positivos, ao prevenir o despoletar de uma nova recessão económica na OECD pela alta de preços. Também mostra que os países importadores de petróleo têm capacidade para responder coordenadamente a desequilíbrios do mercado, quando a OPEC se mostrar incapaz de o fazer. O cartel de exportadores reuniu no passado dia 8 sem tomar qualquer decisão formal no sentido de abastecer mais petróleo ao mercado. Tal deve-se ao facto de apenas três dos seus membros terem hoje capacidade de exportação extra para intervir no mercado: Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Na realidade este trio até tem produzido mais petróleo que aquele determinado pela sua quota da OPEC, mas até ao momento sem que tal tivesse efeitos visíveis. Também no curto prazo são óbvios os ganhos políticos de quem está de momento no poder nas democracias da OCDE.

No longo prazo esta intervenção poderá ter impactos mais negativos. A baixa de preços artificial induzida pelos membros da AIE interrompe (ou pelo menos atenua) o processo de destruição da procura imposto pelos preços altos. Com esta intervenção a procura terá mais espaço para crescer, a prazo colocando pressão adicional no mercado. O Inverno no Hemisfério Norte é tradicionalmente o período em que o consumo mundial de petróleo atinge o valor mais alto no ano; a benesse providenciada pela AIE hoje poderá vir a ter um efeito perverso em Novembro/Dezembro quando o frio aumentar as necessidades de aquecimento. Do lado da oferta esta intervenção apresenta um sinal errado, que pode pôr em risco investimentos em fontes de menor proveito energético, como são as areias betuminosas ou a exploração marítima de águas profundas, tendo a prazo um efeito negativo na capacidade mundial de produção.

Mas um olhar mais atento a esta intervenção revela algo mais profundo. Os membros da AIE (que coincidem em grande medida com a OCDE) estão comprometidos em reter reservas estratégicas equivalentes a 90 dias de importações líquidas; no entanto essas reservas estão hoje em 146 dias. Com a entrega dos 60 milhões de barris acordados, este valor desce em apenas 2 dias de importações, para 144, ainda bem acima do valor mínimo. Perante a inoperância da OPEC esta intervenção talvez seja o sinal de uma mudança fundamental do mercado de petróleo, em que a tarefa de balizamento de preços passa para a lado dos países importadores. Neste novo paradigma os países importadores aumentam as suas reservas estratégicas quando o preço do crude for inferior a determinado intervalo alvo e fornecem o mercado caso o preço exceda esse mesmo intervalo. Não sendo algo declarado, os volumes totais das reservas estratégicas da AIE tendem a indicar uma preparação para algo deste género, com doravante uma intervenção mais regular no mercado. É uma nova era que se poderá estar a abrir.

Esta estratégia poderá ser o último reduto da OCDE antes de medidas mais complexas como o racionamento. Será também um claro sinal de que a oferta deixou de responder aos preços.

International Energy Agency
IEA makes 60 million barrels of oil available to market to offset Libyan disruption

23 June 2011 Paris --- International Energy Agency (IEA) Executive Director Nobuo Tanaka announced today that the 28 IEA member countries have agreed to release 60 million barrels of oil in the coming month in response to the ongoing disruption of oil supplies from Libya. This supply disruption has been underway for some time and its effect has become more pronounced as it has continued. The normal seasonal increase in refiner demand expected for this summer will exacerbate the shortfall further. Greater tightness in the oil market threatens to undermine the fragile global economic recovery. 

In deciding to take this collective action, IEA member countries agreed to make 2 million barrels of oil per day available from their emergency stocks over an initial period of 30 days. Leading up to this decision, the IEA has been in close consultation with major producing countries, as well as with key non-IEA importing countries. 

The IEA estimates that the unrest in Libya had removed 132 mb of light, sweet crude oil from the market by the end of May. Although there are huge uncertainties, analysts generally agree that Libyan supplies will largely remain off the market for the rest of 2011. Given this loss and the seasonal increase in demand, the IEA warmly welcomes the announced intentions to increase production by major oil producing countries. As these production increases will inevitably take time and world economies are still recovering, the threat of a serious market tightening, particularly for some grades of oil, poses an immediate requirement for additional oil or products to be made available to the market.  The IEA collective action is intended to complement expected increases in output by these producing countries, to help bridge the gap until sufficient additional oil from them reaches global markets.

Uma nova página na política portuguesa

Publicado a 05/06/2011, 12:19 por Pico DoPetroleo   [ atualizado a 05/06/2011, 12:29 ]

Portugal vira hoje uma página na sua história política. Depois de duas décadas e meia de uma democracia despreocupada, concentrada nos resultados económicos do trimestre corrente, Portugal enfrenta agora uma realidade bem diferente. Os portugueses vivem sem dúvida melhor, têm hoje uma afluência muito superior à que tinham em 1985, mas a economia portuguesa é incomparavelmente mais frágil. Foram 25 anos em que o sector primário da economia foi reduzido a uma mera caricatura, tendo o sector secundário sido exportado para Ásia; no contexto económico e geográfico de Portugal esta estrutura não tem actualmente qualquer hipótese de sobrevivência. O modelo económico implementado desde a integração na CEE pode ser hoje declarado como um rotundo falhanço.

Hoje Portugal elege um novo governo cuja principal função será cumprir com as condicionantes impostas pelos seus credores. A política portuguesa será doravante completamente diferente da que se viveu nestas duas décadas e meia douradas, menos independente, menos popular, menos solidária.

Como chegou aqui Portugal? Muitas respostas se ouvem para esta pergunta, com facilidade culpabilizando este ou aquele partido político. No entanto ninguém poderá negar que o défice comercial (diferença entre o que o país exporta e o que importa) teve um papel crucial no desenrolar desta tragédia. A política económica falhada seguida pelos sucessivos governos e instituições europeias teve sempre como resultado a consolidação, ou mesmo o agravamento, do desequilíbrio entre o que Portugal produz e o que consome. E qual é o maior componente deste défice? A Energia, à qual acrescem os produtos agrícolas que não são mais que uma forma alternativa de importar energia.

De quando em vez algum político lembra-se deste problema e imediatamente fala em exportações, “aumentando a venda de produtos para o exterior, Portugal poderá equilibrar as suas finanças”. O problema é que importando todos os combustíveis fósseis que consome e sem sector primário da economia, qualquer aumento da actividade industrial implica um aumento do consumo de energia e matérias primas e logo das importações. A agravar esta situação está a política de transportes seguida nos últimos 25 anos, com objectivos bem definidos de aumentar a dependência nos combustíveis fósseis, desmantelando ferrovia e sarjando o país de alcatrão. A aposta cega nas exportações é uma tentativa inútil de tentar resolver um problema com a mesma lógica que o criou.

Na última sessão da Assembleia da República antes da sua dissolução os deputados aprovaram por larga maioria uma recomendação ao Governo para que este subscreve o Protocolo da Exaustão. Instrumento político proposto pela ASPO há alguns anos atrás, simplesmente compromete de forma unilateral os seus subscritores à redução do consumo de petróleo em taxa igual à da exaustão das reservas mundiais de crude, desta forma proporcionando uma adaptação gradual à escassez da maior fonte mundial de energia. Votada sem debate, no meio de um sem número de resoluções aprovadas em contra-relógio e dirigida a um Governo demissionário, terá sido um acto pouco dignificante. Ainda assim está de parabéns o PCP por ter trazido a temática a terreiro.

Mas que significado tem a aprovação desta resolução? Entre 2005 e 2009 o consumo de petróleo em Portugal caiu 20%; a razão foi simples: a recessão económica, imposta em primeira instância pela crise internacional do crédito e depois pela crise da dívida soberana nacional, ambas despoletadas pela escalada dos preços da energia. É sem dúvida sintomático: a inépcia política que trouxe Portugal até aqui provoca também a sua agonia económica. A cultura da super-dependência no petróleo (do qual Portugal extraí mais de metade da energia que consome) colocou o país na dianteira daqueles mais vulneráveis à escassez desta energia.

Consumo de petróleo em Portugal segundo a Agência de Informação de Energia dos EUA.

Se o Governo que sair destas eleições não for capaz de refundar Portugal noutro paradigma económico, consentâneo com a realidade do século XXI, certamente que os credores por cá permanecerão para outra legislatura. E outra mais talvez, até que o país empobreça o suficiente para equilibrar a sua balança comercial, reduzindo o consumo de energias fósseis a uma mera fracção dos níveis de hoje.

É preciso reinventar Portugal. Terá de ser um país forçosamente diferente, com menos facilidades e mais responsabilidades, com menos individualidade e mais comunidade, com menos fausto e mais sobriedade. Mas será um país mais robusto e preparado para o século XXI, e provavelmente um sítio melhor para se viver.

Uma Tragédia Nuclear

Publicado a 14/03/2011, 14:58 por Pico DoPetroleo   [ atualizado a 14/03/2011, 15:13 ]

A notícia domina os meios de comunicação social desde sexta-feira passada: um tremor de terra de magnitude épica, o mais forte em séculos, abalou o Japão. Segui-se-lhe um maremoto que arrasou boa parte da costa noroeste do arquipélago. A perca de vidas provavelmente contar-se-á nas dezenas de milhar, a infraestrutura de transportes, comunicações, abastecimento de água e energia foi muito abalada, em alguns pontos deixou mesmo de existir. O país vive a pior destruição desde a II Guerra Mundial.

Diz o ditado: “uma desgraça nunca vem só” e infelizmente foi o caso. Como muitas outras economias desenvolvidas sem reservas de combustíveis fósseis o Japão alberga um parque nuclear que fornece boa parte da electricidade consumida no país. O terramoto sujeitou parte desta infraestrutura a um abalo acima da magnitude para a qual tinha sido desenhada, mas ainda assim resistiu. Numa primeira instância a situação desenvolveu-se favoravelmente, nenhum reactor foi danificado pelo sismo e a fissão foi terminada com sucesso em todos eles.

Mas no complexo de Fukushima algo correu mal, os reactores foram desligados, mas deveriam continuar a ser arrefecidos por um circuito de água; não havendo energia do próprio reactor, este circuito de água deveria ser mantido por uma fonte de energia externa, mas por razões ainda pouco claras, essa alimentação externa não funcionou. Resultado: lentamente o núcleo dos reactores começou a aquecer para lá dos níveis de segurança aumentando a pressão do vapor de água dentro do primeiro contentor do reactor. Numa primeira reacção esta pressão foi libertada para o espaço entre o primeiro contentor (construído de aço) e o segundo contentor (de betão). Começaram então os problemas, o vapor de água que fora libertado do núcleo fora sujeito a temperaturas altas o suficiente para dissociar a água em hidrogénio e oxigénio, uma mistura explosiva. No sábado esta mistura fez rebentar o contentor de betão do reactor nº 1 e esta manhã incidente semelhante deu-se no reactor nº3. Apesar de não se conhecerem ao certo os impactos destas explosões nos contentores de aço, a situação parecia pelo menos controlada, após a injecção de água do mar que permite controlar a temperatura do núcleo.

Mais informação sobre os acontecimentos nos reactores 1 e 3 no TheOilDrum.

Nas últimas horas há no entanto desenvolvimentos preocupantes em relação ao reactor nº 2 do complexo de Fukushima. Apesar de neste reactor ambos os contentores estarem aparentemente intactos hoje de manhã, a alimentação de água do mar ao núcleo teve de ser interrompida pois as válvulas que permitem o retorno dessa água em forma de vapor deixaram de funcionar. O núcleo esteve várias horas sem arrefecimento e começou a derreter. Responsáveis técnicos japoneses estão a levantar a hipótese de haver a esta altura danos no contentor de aço deste reactor. Não sendo de esperar um desastre com a abrangência geográfica do de Chernobyl, a emissão de matéria radioactiva para o ambiente parece a este momento uma real possibilidade.

Esperemos que de facto uma tragédia possa ser evitada com o contenção do núcleo dos vários reactores dentro dos respectivos conectores até que arrefeçam totalmente. Estes eventos são em grande medida já uma tragédia, mas no plano político. Após alguns anos de revivalismo da energia do átomo, face às crescentes dificuldades de acesso aos combustíveis fósseis, este incidente torna tal opção politicamente impossível num futuro próximo. Uns dirão que era algo expectável em sistemas perigosos que não admitem falhas; outros clamarão que foi a falta de investimento nas últimas décadas que impediu a implementação de soluções mais seguras. Para lá desta discussão uma coisa é certa: a transição para uma economia sem combustíveis fósseis tornou-se hoje mais difícil.

Por fim uma palavra de solidariedade para com o povo japonês, que tem um país para reconstruir.

The New York Times
Emergency Cooling Effort at Reactor Is Failing, Deepening Japanese Crisis
By HIROKO TABUCHI, KEITH BRADSHER and MATT WALD
Published: March 14, 2011

TOKYO — Japan’s struggle to contain the crisis at a stricken nuclear power plant worsened early Tuesday morning, as emergency operations to pump seawater into one crippled reactor temporarily failed, increasing the risk of a wider release of radioactive material, officials said.

With the cooling systems malfunctioning simultaneously at three separate reactors at the Fukushima Daiichi Nuclear Power Station after the powerful earthquake and tsunami, a more acute crisis developed late Monday at reactor No. 2 of the plant. There, a series of problems thwarted efforts to keep the core of the reactor covered with water — a step considered crucial to preventing the reactor’s containment vessel from exploding and preventing the fuel inside it from melting down.

Deutsche Welle
Merkel suspends nuclear extension over Japanese risks
Mark Hallam (AP, dpa, Reuters) 14.03.2011

Chancellor Angela Merkel on Monday pledged a three-month pause in her government's plan to extend the running times of Germany's nuclear power plants.

She said that this would mean that the oldest reactors will be turned off, at least temporarily, almost immediately.

Merkel said that the risks of a meltdown at the Fukushima atomic reactors in Japan, triggered by the massive earthquake and subsequent tsunami in the region, had shown the world that nuclear safety should be reevaluated.

O Pico do Petróleo no WikiLeaks

Publicado a 09/02/2011, 01:57 por Pico DoPetroleo   [ atualizado a 09/02/2011, 02:04 ]

Há por vezes novidades que sem ser exactamente novidades trazem ao conhecimento do público uma vertente diferente da realidade. Sadad al-Husseini, antigo chefe de exploração na petrolífera estatal Saudita Aramco, há já vários anos que vinha avisando para a iminência de um máximo na produção mundial de petróleo. Ontem essas mesmas preocupações foram espelhadas pela imprensa internacional em sequência de várias mensagens trocadas entre o corpo diplomático dos EUA e publicadas pelo portal WikiLeaks.

A informação publicada sobre reservas de petróleo na Arábia Saudita e a proximidade do pico mundial de petróleo não é realmente nova, encontrando-se presente nas diversas entrevistas que Sadad al-Husseini deu à imprensa nos últimos anos. A relevância da notícia está não nos números mas sim no facto de este proeminente proponente do pico do petróleo a curto prazo estar a ser ouvido pela embaixada dos EUA na Arábia Saudita. A notícia publicada pelo Guardian alude a diversas audiências de al-Husseini na embaixada entre 2007 e 2009 e mais ainda: à credulidade com que as suas observações são tomadas pela diplomacia dos EUA.

Esta notícia indica sobretudo que pouca gente toma por sérias as reservas de petróleo publicitadas pela Arábia Saudita. E por arrasto têm de ser questionadas as dos outros membros da OPEC, uma vez que são igualmente um subproduto da guerra de quotas dos anos 1980. É importante também registar que os diplomatas americanos compreendem que a OPEC perdeu controlo sobre o tecto dos preço do petróleo no longo prazo.

Fica a questão: porque agem então os agentes políticos como se nada soubessem?

The Guardian
WikiLeaks cables: Saudi Arabia cannot pump enough oil to keep a lid on prices
US diplomat convinced by Saudi expert that reserves of world's biggest oil exporter have been overstated by nearly 40%
John Vidal, Tuesday 8 February 2011 22.00 GMT

The US fears that Saudi Arabia, the world's largest crude oil exporter, may not have enough reserves to prevent oil prices escalating, confidential cables from its embassy in Riyadh show.

The cables, released by WikiLeaks, urge Washington to take seriously a warning from a senior Saudi government oil executive that the kingdom's crude oil reserves may have been overstated by as much as 300bn barrels – nearly 40%.

The revelation comes as the oil price has soared in recent weeks to more than $100 a barrel on global demand and tensions in the Middle East. Many analysts expect that the Saudis and their Opec cartel partners would pump more oil if rising prices threatened to choke off demand.

However, Sadad al-Husseini, a geologist and former head of exploration at the Saudi oil monopoly Aramco, met the US consul general in Riyadh in November 2007 and told the US diplomat that Aramco's 12.5m barrel-a-day capacity needed to keep a lid on prices could not be reached.

According to the cables, which date between 2007-09, Husseini said Saudi Arabia might reach an output of 12m barrels a day in 10 years but before then – possibly as early as 2012 – global oil production would have hit its highest point. This crunch point is known as "peak oil".

Husseini said that at that point Aramco would not be able to stop the rise of global oil prices because the Saudi energy industry had overstated its recoverable reserves to spur foreign investment. He argued that Aramco had badly underestimated the time needed to bring new oil on tap.

Presidente da Partex fala sem rodeios

Publicado a 31/01/2011, 14:02 por Pico DoPetroleo

Em declarações à agência Lusa o presidente da Partex, António Costa e Silva, transmite hoje uma mensagem de grande pragmatismo no que toca à situação energética mundial. Em contraste com aquela que tem sido a visão tradicional da empresa – o crescimento pronto da oferta de petróleo e gás conforme as necessidades – Costa e Silva alude muito directamente à impossibilidade de se cumprirem as previsões de instituições como a Agência Internacional de Energia ou o Painel Inter-governamental para as Alterações Climáticas.

É bom saber que em Portugal existem pessoas que pensam a energia estudando os números e não apenas imaginando cenários de fartura. É também de registar o facto de a comunicação social se mostrar receptiva a este tipo de análise, pois o artigo da Lusa é reproduzido em grande parte da impressa electrónica de hoje.

“Bulimia energética” é uma metáfora especialmente acutilante.

OJE/Lusa
Presidente da Partex acredita na estabilização do preço do petróleo entre os 100 e 110 dólares
31/01/11, 08:12

"Hoje consumimos à volta de 87 milhões de barris de petróleo por dia. Isto significa que há uma piscina olímpica que se esvazia a cada 15 segundos, são mais de 5.500 piscinas olímpicas por dia, é uma sociedade em bulimia energética", comentou.  

Se é expectável uma estabilização do preço do barril de petróleo no curto prazo, no longo prazo cenário torna-se mais sombrio.  

"A expectativa do crescimento do consumo nos próximos 25 anos é da ordem dos 115 milhões de barris por dia", começou por alertar.  

A somar à crescente procura de petróleo por parte das economias emergentes, a indústria petrolífera debate-se ainda com o declínio da capacidade de extracção.  

"A Agência Mundial de Energia fez um estudo dos 800 campos de petróleo mais activos no mundo e eles estão em declínio de 6,7%o. Isto é, só para repor o declínio da produção desses campos, sobretudo nos países não-OPEP, vamos precisar de quatro a seis novas Arábias Sauditas", avisou.  

Além de sublinhar a necessidade de uma diversificação das fontes energéticas, António Costa Silva sublinha ser necessário "olhar para todas as outras fontes de energia, como a nuclear ou os hidratos de metano, além das renováveis", caso contrário "o planeta pode estar confrontado com um colapso".

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