No artigo de 1956 "Nuclear Energy and the Fossil Fuels", em que previu o
pico de produção nos EUA, Hubbert apresentou 80 páginas de equações
diferenciais para chegar às suas conclusões. Tal valeu-lhe algumas críticas, o
método era tão complexo que mais parecia um monolito impenetrável, que só
aqueles com profunda formação matemática tinham o privilégio de entender.
Estados Unidos
Para se determinar o Pico de Hubbert são necessários dois conjuntos de
informação, a produção anual, a que se chama de P, e a produção
comulativa (o total de petróleo produzido desde o primeiro ano de
exploração até ao ano em causa), identificada por Q. Para começar vamos
aplicar este método ao caso dos 48 estados continentais dos EUA, que como
sabemos tiveram o seu pico em 1971. A produção anual para estes estados
encontra-se disponível na página da
Administração de Informação de Energia (EIA - Energy Information
Administration). A produção comulativa não está disponível aqui, mas
podemos usar o valor publicado no
boletim nº 23 da ASPO, que para 2001 indica uma produção comulativa de
169 Giga-barris.
Nos primeiros anos o gráfico apresenta-se algo desordeiro mas a partir de 1958
os pontos tomam uma tendência de declive negativo. Vamos agora ajustar uma
recta usando estes pontos a partir de 1958, com a forma:
Y = mX + a
Neste caso Y é P/Q e X corresponde a Q, a é
o valor de P/Q onde Q é zero e m é declive da
recta. A recta ajustada aos pontos tem o valor de 0.061 para a e
-3x10E-4 para m. Com esta recta podemos determinar o valor de Q para
o qual P/Q é zero, que neste caso é 198.395, e ao qual se chama Qt.
Este valor é a produção comulativa máxima que alguma vez será alcançada;
sabendo que o pico se dá exactamente quando metade deste total está
completo, facilmente o situamos em 1973 onde Q passa
os 99.198 Giga-barris.
![]()
A teoria de Hubbert é simplesmente a assumpção de que a relação entre P/Q
e Q segue uma recta, tudo o resto é pura matemática. Vamos resolver a
equação da recta em relação a P para ver o que acontece:
P/Q = mQ + a
A parte que está dentro dos perêntesis (1 - Q/Qt) é a fracção do
petróleo total que está por produzir, quer isto dizer que a capacidade que
temos para produzir petróleo num dado momento depende linearmente da quantidade
que ainda existe disponível para produzir. A equação de baixo corresponde a uma
curva logística, que tem a forma de uma sino.
1/P = 1/[a(1 - Q/Qt)Q]
E por fim traçamos o gráfico com o Tempo no eixo dos xx e P no eixo dos
yy; convém tambem adicionar os dados reais:
![]() Nem ficou muito mal, pois não? Mundo
Para o Mundo inteiro podemos usar os dados publicados pela BP na
BP Statistical Review, com a produção desde 1965 até hoje. Mais uma
vez para os valores comulativos temos de recorrer aos
boletins da ASPO, que para 2004 indicam uma produção comulativa de 1040
Giga-barris. Ao passo que os dados que vimos para os Estados Unidos se referiam
apenas ao petróleo convencional, estes dados da BP incorporam também a produção
a partir de areais betuminosas, petróleo pesado e o Gás Natural Líquido (GNL).
Vejamos o gráfico de P/Q contra Q:
![]()
Temos outra vez um início caótico mas a partir de 1983 a evolução torna-se
bastante suave, seguindo uma tendência bem definida. Agora ajustamos recta como
anteriormente e temos isto:
![]() A equação da recta neste caso é P/Q = -2.36x10E-5 Q + 0.051, o que resulta no valor de 2164.86 para Qt. E pronto a magia está feita, resta agora fazer outra vez as contas para chegarmos ao gráfico que mais gostamos, o da produção em relação ao tempo: ![]() Tudo isto para chegarmos à conclusão que aplicando o método de Hubbert aos dados disponíveis até 2004, temos o pico de produção petrolífera no Solestício de Verão de 2006. ConclusõesSabendo agora como se aplica o método de Hubbert podemos também perceber as razões por detrás das diferentes datas que aparecem associadas ao Pico do Petróleo. As diferença têm a haver sobretudo com os dados que usamos:
De todos estes modelos o do professor Deffeyes deverá ser o mais importante.
Existe uma grande diferença do petróleo convencional para os outros petróleos,
a facilidade com que é extraído do sub-solo. A produção global até pode
continuar a crescer mais alguns anos, mas à custa de recursos mais difíceis de
explorar, logo mais caros. O petróleo barato pode ser já hoje uma coisa do
passado.
AgradecimentosUm agradecimento muito especial ao Paul Thompson do WolfAtTheDoor.org.uk pelos dados de produção anteriores a 1965.
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