2 Introdução

"Há vinte anos dizam-me que o petróleo iria acabar dentro de vinte anos.
Agora que esses vinte anos passaram voltam-me a dizer o mesmo."


Esta frase ouve-se muitas vezes. No entanto faz parte de uma cultura de contra-informação instalada, que desvia a atenção da realidade dos problemas. É aquilo a que nos Estados Unidos se chama um mito urbano. Quem foi o geólogo, o engenheiro, o investidor, ou o investigador que alguma vez terá dito que o petróleo iria acabar em vinte anos? Ninguém. Porque qualquer pessoa com um conhecimento mínimo sobre exploração petrolífera sabe que o petróleo nunca se esgotará. O grande desafio que a exploração de Petróleo coloca é o facto de ao longo do tempo apresentar uma forma de sino: a princípio cresce rapidamente, em seguida abranda, depois atinge um pico máximo e inicia uma queda que espelha a fase de crescimento. O pico de produção surge em torno do ponto em que metade das reservas foram extraídas. É esta fase de queda da produção, que ao dar-se para a produção mundial, impõe um desafio sem igual à nossa Civilização.


Antes demais há que compreender que o Pico do Petróleo é um fenómeno geológico; muita gente tenta distorcer esta realidade com argumentos da teoria económica, que embora válidos noutros casos, não se aplicam ao petróleo. Este fenómeno é observável na exploração de poços singulares, em campos petrolíferos, em países, e será certamente observado globalmente.
Uma forma interessante de explicar este fenómeno é com a meáfora do carpinteiro, cujo original se encontra em WolfAtTheDoor.org.uk, pela mão de Paul Thompson.

Era uma vez um carpinteiro, que vivia perto duma mata, onde ia cortar árvores para fazer o seu trabalho. O carpinteiro foi-se tornando mestre na sua arte e começou a ter cada vez mais trabalho. Cada vez que ficava sem matéria-prima o carpinteiro ia à mata cortar uma árvore. A princípio bastava-lhe escolher uma das mais próximas de sua casa, depois começou a ter que ir mais longe para encontrar ávores de boa qualidade. Apesar de ir cada vez mais longe, qualidade das árvores que cortava foi baixando progresivamente. Um dia apercebeu-se que gastava mais tempo a cortar árvores e a levá-las para a oficina que com o seu verdadeiro ofício.
A exploração do petróleo processa-se de uma forma semelhante. Quando se inicia a exploração de um poço, o petróleo vem à superfície mais fácilmente, pois é mais leve e fino. Mas há medida que se vai chegando à parte mais profunda do poço, o petróleo é mais pesado e grosso, é mais difícil de o trazer à superfície e é mais sulfuroso, de menor qualidade e mais poluente. Isto resulta numa produção que ao longo do tempo apresenta uma curva em forma de sino. Começa por crescer facilmente, chega a um patamar que dura algum tempo, e depois regride, a um ritmo semelhante ao do crescimento inicial.
 
M. King Hubbert


O Pico do Petróleo foi pela primeira vez identificado por um investigador da Shell chamado Marion King Hubbert, durante a década de 1940. A princípio Hubbert não conseguiu trazer a público as suas descobertas, em parte por serem potencialmente prejudiciais à sua empresa. Em 1956 Hubbert foi convidado a fazer uma apresentação sobre o futuro das reservas petrolíferas numa conferência do Instituto Americano do Petróleo. Com a indústria reunida perante si, e ignorando os apelos do Shell para que não o fizesse, Hubbert explicou como um pico na produção petrolífera dos 48 estados dos EUA continentais (US-48) seria de esperar no intervalo daí a 10 a 15 anos. O seu trabalho tournou-se motivo de chacota no seio da indústria petrolífera, e foi mesmo desvalorizado pelas instituições americanas. Em 1970 a produção de petróleo nestes 48 estados atingiu um pico, e tem estado em queda desde então.

O caso dos 48 estados continentais dos EUA ajuda bastante a perceber o pico do petróleo, pois dos grandes produtores mundais este foi o único país onde a produção não foi perturbada por guerras, revoluções ou outro tipo de instabilidade.

Produção Petrolífera nos E.U.A.
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Pico DoPetroleo,
31/08/2009, 03:59
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Pico DoPetroleo,
31/08/2009, 04:00
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