3 A Teoria de Hubbert

O Petróleo e os outros combustíveis fósseis são o resultado de um processo geológico que se registou na Terra em dois períodos distintos da história, um há 120 milhões de anos e outro há 90 milhões de anos. Um período de aquecimento global muito elevado provocou a proliferação anormal dos organismos vegetais marinhos. Estes por sua vez envenenaram a água (consumindo o seu oxigénio), provocando a morte generalizada dos outros organismos marinhos. Um manto enorme de matéria orgânica em decomposição cobriu o fundo dos mares; em certas zonas este manto foi coberto pela crosta terrestre (devido à actividade tectónica, ou à acomulação de sedimentos), sendo assim sujeito a enormes pressões durante milhões de anos. Resultaram deste processo o Petróleo e o Gás Natural. 
Os combustíveis fóssies não são renováveis, as suas reservas são finitas, e não estão a ser repostas. Esta é a verdade, apesar da aparente abundância destes recursos. 

Hubbert criou um modelo matemático de extracção de petróleo em que a quantidade total de petróleo extraído segue uma curva logística. Tal implica que a taxa de petróleo extraído num dado ponto no tempo, é dada pela taxa de evolução da curva logística. Esta curva apresenta a forma de um sino, e ficou conhecida como a curva de Hubbert. Embora apareça mais associada à exploração petrolífera a curva de Hubbert também é válida para outros combustíveis fósseis como o Gás Natural, o Carvão e o Petróleo Não Convencional. 
Dada a produção passada de petróleo e ignorando factores externos como a queda da procura, este modelo consegue prever a data de produção máxima para um campo petrolífero, múltiplos campos petrolíferos, ou um país ou região inteira. Este ponto de produção máxima é normalmente chamado de Pico. O período após o pico é chamado de Esgotamento. 
A produção de um poço individual segue geralmente a curva que se vê em seguida. Inicialmente a produção é baixa, pois a infraestrutura de exploração ainda não está completa, depois atinge um plano, que corresponde à capacidade máxima de produção instalada, e por fim regista-se uma queda.
Produção típica num só poço

Na exploração de um de um campo petrólifero os primeiros poços a explorar são os maiores, não só por serem mais rentáveis, mas por serem normalmente os preimeiros que são encontrados. Conforme o campo vai envelhecendo passam a ser explorados os poços de menor capacidade. Combinando vários poços desta forma ao longo do tempo, inicialmente poucos de grande dimensão, e mais tarde muitos de menor dimensão, obtém-se algo semelhante à primeira derivada de uma curva logística.
Produção conjunta de 4 poços
Produção conjunta de 8 poços

Como é de esperar quanto mais poços se adicionam mais suave é a curva, e mais próxima da curva de Hubbert ela fica.

A Prática

Na prática a curva de Hubbert é raramente observável, devido a factores externos. Por exemplo, a produção no Irão seguiu a curva de forma bastante estável, mas em 1979 com a revolução dos Aiatolas a exportação de petróleo foi travada, e a curva tornou-se bastante atípica. Produção petrolífera no Irão
Produção petrolífera no Irão

Outro exemplo interessante é o da antiga URSS, que registou dois picos um em 1982 e outro em 1988. Com o aproximar do pico de produção o estado soviético racionou o consumo de petróleo conseguindo assim uma de produção quase constante durante 6 anos. Em 1989 caiu o Muro de Berlim. Em 1991 a U.R.S.S. deixou de existir.
Produção petrolífera na U.R.S.S.

Practicamente a única grande área do globo onde não se fez sentir a influência de factores externos foi a dos E.U.A. continentais (sem o Havai e o Alaska). E neste caso a curva de Hubbert é mais que patente, mesmo não sendo particularmente suave, apresenta uma clara tendência de crescimento até 1970 e uma igual contracção posterior, tal como Hubbert calculara em 1956. 
Os E.U.A. continentais são ainda um caso que exemplifica bem o aumento do número de poços em exploração com o evoluir do tempo. Compare-se este caso com o da Arábia Saudita, um dos poucos países produtores que ainda não passou o pico petrolífero:

   Nº poços em produção  Produção/Poço (barris/dia)
E.U.A. 239 754 20
Arábia Saudita 1 560 4 150
ą
Pico DoPetroleo,
02/09/2009, 00:47
ą
Pico DoPetroleo,
02/09/2009, 00:47
ą
Pico DoPetroleo,
02/09/2009, 00:47
ą
Pico DoPetroleo,
02/09/2009, 00:47
ą
Pico DoPetroleo,
02/09/2009, 00:48
Comments